Alex Antunes conversa com o público na abertura da IV Mostra Petrúcio Maia
Categoria: E mais, Feira 2011, Mostra de Música

Por Ana Carla Calvet
Do Laboratório Entrepontos

A Mostra de Música de Fortaleza Petrúcio Maia de 2011 está com várias novidades em sua programação. Entre elas, palestras e uma micro-feira de produtos e serviços da cadeia produtiva da música. A primeira atividade da Mostra será uma roda de conversa com o crítico musical Alex Antunes (SP), que tem vasta experiência com a cena independente da música brasileira.

Além de músico, produtor, jornalista e agitador cultural, Alex também participou da equipe de curadoria do evento, dividindo a responsabilidade de selecionar os 30 nomes locais com o produtor Ivan Ferraro (CE) e o jornalista Luciano Almeida Filho (CE). A conversa acontecerá em torno das possibilidades de carreira para as bandas independentes e das questões que envolvem os processos de curadoria em eventos musicais – incluindo no debate a própria Mostra como seletiva da Feira da Música de Fortaleza.

O bate-papo é aberto ao público e acontece nos dias 20 e 21 de maio, a partir das 17h, no Shopping Solidário Bom Mix. A quarta edição da Mostra Petrúcio Maia traz ainda shows de 30 grupos e/ou artistas solos da cidade, além de atrações convidadas como o trio instrumental Macaco Bong (MT), Cabruêra (PB) e o rapper Emicida (SP). O acesso é gratuito.

Confira na entrevista abaixo, feita por email, uma breve análise de Alex Antunes sobre o assunto que irá debater:

De que forma acontece a curadoria da Feira da Música?

Alex - A curadoria nacional é direta, selecionando artistas inscritos para as apresentações na Feira. A curadoria local acontece em duas fases: as bandas locais se inscrevem e podem ser selecionadas para Mostra Petrúcio Maia, nela há uma nova votação, para definir quem toca na Feira. É um bom sistema, porque os artistas têm a oportunidade de serem escolhidos  por suas performances ao vivo e não por faixas gravadas e outros materiais, que nem sempre traduzem o que é o trabalho do artista.

Quais critérios são utilizados na seleção dos artistas?

Alex – É uma combinação bastante flexível de critérios. Diversos gêneros musicais valorizam diferentes aspectos da música. Por exemplo, normalmente espera-se de um artista de jazz que ele tenha uma habilidade instrumental. Já um artista de punk rock ou de música regional vai ser avaliado por outras prioridades. É um exercício muito interessante para a curadoria que deve ouvir, sem preconceitos, artistas de estéticas e de pegadas tão diferentes.

Como você analisa o cenário da música independente no Ceará?

Alex – A música independente cearense tem dois aspectos muito interessantes que, se forem bem combinados, podem fazer uma cena interessantíssima (que nesse momento ainda não se enxerga com clareza, mas que pode – e a nossa intenção é contribuir nisso – acontecer).

Primeiro, a história da música independente no Ceará dos últimos 40 anos é sensacional! Deu uma esfriada nos anos 80, mas houve uma cena contra-cultural muito inspirada como a Massafeira, de uma poética e uma musicalidade muito ricas.

Segundo, nos últimos dez anos, alguns dos artistas independentes mais notáveis e mesmo geniais do Brasil saíram do Ceará, como Cidadão Instigado, Karine Alexandrino, Montage e Jardim das Horas, pois não tiveram como dar continuidade ao seu trabalho em Fortaleza. Se houver um movimento que junte um pouco essas duas coisas – sentido de cena local, com uma troca simbólica de tecnologias e mantendo essa criatividade ácida e explosiva – será uma das cenas musicais mais legais do Brasil.

SERVIÇO: Roda de conversa com Alex Antunes (SP), dias 20 e 21 de maio, a partir das 17h, no Shopping Solidário Bom Mix, na Av. Osório de Paiva, 5623 – Canindezinho. Acesso gratuito. Confira a programação e outras informações de serviço: http://www.feiradamusica.com.br/2011/05/09/iv-mostra-petrucio-maia-divulga-programacao-e-atracoes-convidadas/

 

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