Planejamento estratégico da Rede CEM é resultado da capacitação em Economia Solidária
Categoria: Blog, Políticas Públicas

oficina rede cemA oficina com o professor Ioshiaqui Shimbo, da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos – SP), resultou no planejamento estratégico da Rede Ceará de Música (RedeCem). O encontro, realizado na última terça (1°) e quarta (2), na sede da Associação dos Produtores de Discos do Ceará (ProDisc), em Fortaleza, também definiu a composição do núcleo durável do coletivo, além de provocar reflexões sobre os princípios da economia solidária e sobre a dimensão de um empreendimento social como a RedeCem.

Na terça, Shimbo partiu para a construção de um mapa cognitivo dos membros da Rede. E explicou que o exercício, de reconhecimento, era peça fundamental para a definição do planejamento estratégico do coletivo – que desde o início era o objetivo da oficina. “Nós temos que fazer algumas perguntas: quem somos, quais as metas, quem são os parceiros, quais nossos desafios, nossos sonhos. E enxergar que com os problemas a gente pode levantar oportunidades”, observou.

O mapa cognitivo mostra que o meio mais fácil para identificar os membros da Rede são os pontos de intersecção. Por exemplo: o Hey Ho Rock Bar é este ponto em relação a Babuê Produções e à empresa Bandeira R Produções Artísticas, uma responsável pela gerência e a outra pela administração do bar, respectivamente. Shimbo alertou, a partir do exercício, que a composição da Rede pode gerar desproporcionalidade, já que o núcleo durável é feito por grupos associativos e pessoas autônomas. Disto, algumas discussões surgiram, como a questão: as 40 bandas da ACR são representadas por um só dentro da Rede ou elas precisam ter cada uma seu peso de voto?

“As bases precisam ter conhecimento da Rede”, disse Shimbo, ao concluir que as bandas associadas devem ao menos estar cientes do processo. Com tantas necessidades de mudança da realidade atual, o professor levantou a idéia de que a RedeCem precisa definir se quer manter o DNA atual ou transformá-lo através da realização de um congresso ou de situações afins. A partir daí, o grupo reconheceu que há um necessidade maior e mais urgente em relação à elaboração de uma Carta de Princípios – a exemplo do que foi feito a partir do Congresso do Circuito Fora do Eixo, rede maior que integra a RedeCem e os demais coletivos produtores de cultura – com foco na música independente – pelo Brasil.

Fechando o primeiro dia da oficina, uma série de problemas foi elencada tendo em vista a criação da Rede, em abril de 2009, e sua atividade até aqui. Só para citar alguns: participação insuficiente, divisão desigual do trabalho, dificuldade para identificar a composição do grupo, dificuldade de conciliar atividades individuais e dos empreendimentos coletivos, desequilíbrio de prioridades. Enfim, um exercício de auto-reconhecimento que foi útil para que a Rede descobrisse sobretudo o que não deve se fazer adiante. E trocar eventuais ciclos viciosos por ciclos virtuosos, uns atentos às necessidades dos outros.

“A RedeCem tem muito poder de troca” (Prof°. Shimbo – comentando o fluxograma da cadeia produtiva da música local que está ligada à Rede)

O segundo dia teve início com a análise de um fluxograma da cadeia produtiva da música local. Shimbo observa que o perfil dos consumidores dos produtos finais sempre depende dos aliados (patrocinadores, apoios, etc) de cada produção. “Vocês têm de ter isso muito claro. A moeda complementar é criada para ficar sob o controle do coletivo”, lembra o professor.

Ivan Ferraro, da ProDisc – associação-membro da Rede articuladora do encontro, complementa o raciocínio de Shimbo justificando a criação da moeda. “Por que criar uma moeda? Porque esse mercado independente ainda está em construção. Não estamos preparados para se endividar muito em espécie. Não temos capital de giro e nem de serviços para atender grandes demandas”, explicou.

Da discussão da moeda, o prof. Shimbo levanta uma das metas mais urgentes da Rede: a criação de um fundo solidário de crédito rotativo, alimentado por investimentos e doações. E ele doou o próprio cachê – referente à realização da oficina – para a gestão do fundo, incentivando a iniciativa. “Se você estiver livre de dívidas, a doação é importante para estimular a solidariedade”, disse, causando um momento de reflexão (interior e exterior) entre o grupo presente ao encontro.

A oficina avançou e, após as discussões necessárias, as definições mais urgentes foram:

Composição do Novo Organograma – Dividido entre os membros do Núcleo Durável:
- Articulação Externa (Ivan Ferraro/ Amaudson Ximenes)
- Comunicação (Felipe Gurgel)
 - Finanças (Rafael Bandeira)
- Projetos Especiais e Ação (Valéria Cordeiro / Lucas Gurgel/ Glauber Uchôa*)
- Secretaria (Thaís Andrade/ Rafael “Babuê” Lucena)

* representante do Sebrae (CE)

 Instâncias de Decisões:
 - Núcleo Durável
- Encontros Ampliados
- Encontros Específicos (A exemplo da própria oficina com Shimbo)
- Assembléias/ Encontros Gerais

Encaminhamentos a Curto Prazo:
- Manutenção do Núcleo Durável
- Sensibilização dos Sócios e das Relações com a Rede
- Realização do 1° Congresso da RedeCem
- Elaboração da Proposta da Carta de Princípios do coletivo (que definirá critérios de inserção de novos membros e parceiros)
- Elaboração do Termo de Referência da RedeCem (e de suporte à elaboração de projetos)

por Felipe Gurgel da RedeCem Comunicação
fonte: http://recem.wordpress.com/

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