Fonte: Tímpanos
Como eu disse, sou um grande defensor da música independente. Conheço a dificuldade dos verdadeiros artistas, de enorme talento, que não conseguem sequer sobreviver com seus pequenos shows, apresentações em bares e alguns festivais, principalmente pela falta de espaço que o artista “não comercial” possui. E essa “falta de espaço” não é absoluta – pois não há limites objetivos para a criação musical – ela é causada pelo esmagamento que o mercado da música exerce sobre esse universo, tentando e usando de todas as forças para ocupá-lo o máximo possível.
A criminalização dos downloads de música na internet é fruto dessa hegemonia. Quem fatura bilhões com a produção artística alheia não quer faturar milhões. Essa chamada pirataria é uma invenção, uma piada de mal gosto, e convenceram você de que baixar uma mp3 do seu artista favorito é um crime contra ele. Crime? Porque você “deixou” de comprar o CD original? E quem não tinha a intenção de comprar de qualquer forma? Que cálculo bizarro de “prejuízo” é esse e que prejuízo enorme é esse que, mesmo em meio a uma gigantesca crise econômica mundial, as gravadoras não registram nenhum pedido de falência ou mesmo demitem funcionários? Queda de receita? A indústria das máquinas de escrever também sofreu bastante com a invenção do computador. Novos tempos exigem novos valores.

Seja o que for… É isso aí!
xD
Penso ser simplório este olhar sobre a indústria da música confrontando os poderes e desejos de “poucos gigantes” perante os “milhares de pequenos criadores”.
Dar música, no caso liberar para download gratuito, é um tiro no pé de quem realmente considera este ofício. A leitura que o público faz dessa atitude é de que compor, hamonizar, tocar, gravar, arranjar, produzir, mixar e masterizar realmente nada vale.
Quem pensa assim ou já foi ou é beneficiado pela arrecadação dos direitos autorais, que no Brasil é digno de pornografia, ou tem livre acesso para produzir com dignidade a custo zero, o que penso ser a minoria.
Música é sim um produto, a mais de cinquenta anos, e precisa possuir valor agregado, preço, pois no mundo que vivemos o consumidor só valoriza o que paga.
Talvez por esta razão a canção esteja tão desvalorizada.
São quilos de novas criações saídas do forno a toque de caixa em busca de um mísero lugar ao sol. Geralmente com faixas de baixissima qualidade técnica!
Mais vale o consumidor escolher uma faixa de um artista e pagar por isso do que ficar com esta gana genocida de encher seus players com música por nada.
Aí realmente tornaremos essa arte algo meramente descartável!!!